05
Jan 10
Por

Filipe Lobo d´Ávila

, às 11:29 | comentar

 

O desemprego em Portugal atingiu recentemente uma taxa absolutamente histórica, bem perto dos 10%.  Diria que não valerá a pena procurar encontrar culpados ou, ao invés, fingir que nada se passa. Trata-se, de facto, daquela que considero a grande prioridade para o futuro de Portugal e para o futuro da novas gerações: suster o aumento galopante do desemprego.

Esta realidade é tão mais importante quando constatamos que, de acordo com as estatísticas oficiais do INE relativas ao terceiro trimestre de 2009, há 280 mil jovens (com menos de 24 anos) que estão à procura de emprego. E que a taxa de desemprego nesta faixa etária sobe aos 19,2%.

Simultaneamente, há 48 mil licenciados que estão sem emprego e verifica-se que, na geração dos 25 aos 34 anos, o desemprego de longa duração é superior a 50%.

Estes dados revelam, por um lado, uma política desastrosa - de décadas - quanto ao ensino superior e, por outro, a necessidade de se dar prioridade a este flagelo social.

Como ? Apoiando quem cria emprego e concedendo incentivos e benefícios a quem contrata jovens desempregados.

Outros caminhos haverá certamente.

Haja a lucidez de concentrar a actividade política naquilo que verdadeiramente interessa...


Grande Filipe, parabéns
Manuel Castelo-Branco a 5 de Janeiro de 2010 às 12:01

A atribuição de subsíduos traduz-se sempre num aumento de impostos, não passa de uma política socialista. É estranho vê-la defendida aqui. A redução global do IRC por viada redução da despesa do Estado é, para mim, uma medida muito mais eficaz e com efeitos positivos que se podem multiplicar na economia.
PA a 5 de Janeiro de 2010 às 17:34

Concordo, no geral, com o que refere. Note, no entanto, que não defendi, em momento algum, a atribuição de subsídios. Falei em incentivos e benefícios, o que é manifestamente diferente da atribuição de subsídios.

Não estou a ver o tipo de incentivos e benefícios se podem dar às empresas que, simultaneamente, as façam efectivamente empregar jovens e não se traduzam num custo para o Estado. Podia exemplificar? Obrigado.
PA a 5 de Janeiro de 2010 às 22:59

Em Política, há opções a fazer. Quando referi incentivos e benefícios estava a pensar sobretudo na utilização da política fiscal. Aumentar impostos na actual conjuntura seria agravar a crise. Não os saber baixar na hora certa seria atrasar a retoma.

Acredito que uma política virada para o apoio às empresas poderá ajudar a combater esta situação alarmante. Algumas medidas interessantes seriam, por exemplo, o pagamento a horas das dívidas do Estado, o reembolso do IVA a 30 dias e a consagração do mecanismo fiscal da compensação de créditos. São medidas que implicam, sobretudo, uma melhor gestão da tesouraria do Estado e que poderiam ter um efeito muito importante na tesouraria das empresas (e consequentemente no mercado de trabalho).

Relativamente à questão concreta que colocou, é evidente que, em regra, há custos. Custos que decorrem das opções políticas. Mas isso levava-nos para uma outra discussão relacionada com a pertinência e oportunidade de determinadas opções políticas na actual conjuntura (que podem saturar o mercado do crédito e acentuar ainda mais as dificuldades das empresas).

Dando um exemplo sobre medidas de apoio às empresas. O Estado poderia propor às empresas um acordo simples: por cada desempregado que contratassem sem termo, receberiam, como estímulo, o remanescente do subsídio de desemprego e subsídio social de desemprego que seria pago ao desempregado, caso não recebesse a oferta de trabalho. Sempre será mais virtuoso estimular um emprego - que é uma oportunidade - do que financiar a continuidade no desemprego. Em bom rigor, esta proposta não significaria um aumento dos custos do Estado e seria um incentivo concreto e directo às empresas. Logicamente, seria necessário ter cuidado com fraudes e abusos i.é , teria que se aprender com alguns dos erros do RSI ).
E já agora, porque não prever beneficios fiscais extraordinários para estas mesmas empresas ?
Aqui ficam duas ideias. Concordando ou não com elas, agradeço-lhe os seus comentários anteriores.

Concordo integralmente com o segundo parágrafo, desde que aplicável a todas as empresas. Relativamente às medidas de apoio que refere no último parágrafo, parece-me complicado argumentar que não se trata de um aumento da despesa do Estado. Isto porque são negociações independentes e porque contêm incentivos perversos. Penso que, como jovens deputados, deviam ser uma voz de mudança da atituade paternalista do Estado.
PA a 6 de Janeiro de 2010 às 10:42

O Bloco Central adiou hoje na Comissão de Orçamento a discussão sobre o pagamento - a horas - das dívidas do Estado (e eventuais juros) e sobre o reembolso do IVA em 30 dias.

Podemos falar em medidas.

O Pm pode vir de 15 em 15 anunciar medidas nos debates

Mas a verdade é que a situaçao continua um caos.
Falar de desemprego e justiça em Portugal é falar de necessidade de reformas e de alteraçoes.

Só que nao acontece e não existe um esforço de cooperaçao e uniao à volta destes problemas.

Já estou com Cavaco : o pais tem problemas a serio para resolver e nao andar preocupado com o casamento gay...
Francisco Castelo Branco a 5 de Janeiro de 2010 às 23:26

Caro Franciso,
O meu post é, no fundo, um partilhar dessa mesma opinião. Com problemas tão graves, andamos concentrados em matérias que não são prioritárias.

Na última fila da bancada do CDS-PP sentaram-se no primeiro dia, por acaso ou providência, os quatro deputados mais novos da bancada. Juntam-se virtualmente neste espaço para continuar as discussões após o fim dos trabalhos. Junte-se, leia e debata as opiniões dos deputados… Da última fila.
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