26
Nov 10
Por

Michael Seufert

, às 16:58 | comentar

Ouvem-se estes dias muitas queixas acerca "dos mercados", esses mauzões. São quase tão maus como a Alemanha, disso não haja dúvidas! Mas convém aqui explicar que quem precisa destes mercados, somos nós. Quando ouvimos aquelas percentagens dos déficits do orçamento do estado, esquecemo-nos que esses valores são euros. Euros que, no ano desse déficit, o estado tem que pedir emprestado, porque está a gastar mais do que aquilo que tem. Esse dinheiro que pedimos emprestado vem, muitas vezes, dos tais malvados mercados (parte virá também, p.ex., de produtos de poupançaq ue o estado emite internamente como os certificados de aforro - ora como o estado não se comporta propriamente como pessoa de bem na gestão deste produtos, estes têm cada vez menos procura, a conclusão é que cada vez mais a nossa dívidas está junto dos mercados financeiros). Para termos uma escala de valores, um déficit de 1% do PIB, este ano, significa que Portugal tem que pedir cerca de 1700 milhões de euro emprestado. Reparem que a *previsão* para este ano é de 7.3%.

O que é que isto quer dizer? Quer dizer que se queremos déficits altos, temos que ter quem nos empreste dinheiro. E não deixa de ser curioso que do BE e do PCP, que são os primeiros a defender déficits altos, venham as queixas contra quem os permite - ditos mercados mauzões. Se não houvesse quem nos emprestasse o dinheiro para financiar o facto de não sabermos fazer orçamentos equilibrados, teria o estado de ficar a dever o dinheiro no valor do déficit a fornecedores, empreiteiros e - quiçá - trabalhadores do sector público. Assim, dá para ficar a dever "lá fora" - para pagar a 10, 20 e 30 anos com os impostos dos que ainda nem podem votar.

Conclusão? A conclusão é que os mercados não precisam de nós. Se quiserem vão investir noutra freguesia, não falta quem precise de dinheiro. Já nós precisamos dos mercados. Por cada ponto percentual do PIB precisamos de 1700 milhões de euro desses mercados. Mais juros. E juros sobre juros. TAP, Euro 2004, Cinemateca ou as torres eólicas são apenas alguns dos exemplos pelos quais Portugal precisa dos mercados.


Na última fila da bancada do CDS-PP sentaram-se no primeiro dia, por acaso ou providência, os quatro deputados mais novos da bancada. Juntam-se virtualmente neste espaço para continuar as discussões após o fim dos trabalhos. Junte-se, leia e debata as opiniões dos deputados… Da última fila.
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Cecília Meireles Graça
Filipe Lobo d´Ávila
João Pinho de Almeida
Michael Seufert
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