17
Mar 10
Por

Michael Seufert

, às 15:53 | comentar

Quem trabalha em educação tem duas hipóteses:  ou se rende ao eduquês, começa a falar de maneira que ninguém percebe e defende as teorias de Rousseau, ou fala português, claro e simples, e não se esconde por detrás de teorias e discursos obscuros e descolados da realidade.

Tenho tentado fazer o meu melhor em não sucumbir ao eduquês ao qual estou exposto na Comissão de Educação. Transcrevo aqui as minhas respostas a um curto inquérito do Público e deixo ao leitor a possibilidade de ir comparar com as respostas de outros deputados:

 

1.Deve ou não um aluno ficar retido por excesso de faltas?

 

Sim. O cumprimento de compromissos e horários é um valor em si mesmo e deve ser aprendido também na escola.

 


2.Que outras alternativas existem?

 

Não conheço alternativas à sanção das faltas que incutam nos jovens a responsabilidade de cumprir um horário - algo que na sua vida terá sempre importância - bem como a ideia de que só com esforço e trabalho se atinge um objectivo.

É natural que um aluno que chumbe de ano - chamemos as coisas pelo nome - se sinta desmotivado para continuar na escola. Cabe aqui aos professores e pais analisar as causas do chumbo. Se este for devido a excesso de faltas há que apurar se o aluno falta com ou sem conhecimento dos pais e há que resolver a questão. Pessoalmente sou contra o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano, pelo que um aluno que atingisse os 16 anos estaria livre de abandonar a escola e encontrar emprego.

 


3. No quadro actual terá a retenção um valor pedagógico?

 

Não percebo ao que se refere quando fala de "actual quadro". Chumbar de ano quer dizer que não se cumpriu os requisitos que são exigidos para um determinado nível de escolaridade - requisitos que são exigidos a todos por igual. Chumbar não é um atestado de incompetência mas atesta que não se demonstrou conhecimento suficiente para passar de ano. Isso é independente do "quadro" em que vivemos e acontece em todas fases da vida.

As causas do chumbo podem e devem ser analisadas por pais, professores e aluno, para que as suas causas sejam resolvidas e o aluno possa prosseguir na escola.

 


Quando vejo um taxista (você) a falar contra o eduquês, até me vem alguma compaixão por esse mesmo sistema.

Chumbar por faltas é simplesmente uma idiotice. Veja por exemplo o Instituto Superior Técnico (IST), provavelmente uma das melhores instituições de ensino superior e investigação em Portugal. No IST não se faz registo da assiduidade dos alunos!

Deve-se chumbar se e só se nas diversas provas de aferição do que se sabe, demonstra-se não se saber o mínimo.

E mais, retenção de ano, cujo efeito é impedir indescriminadamente a inscrição em disciplinas com programas mais avançadas, também não faz sentido nenhum. Suponhamos que um aluno é muita bom em Matemática e uma nulidade a história. Caraças, é óbvio que o aluno deveria poder frequentar anos avançados de Matemática e ficar "retido" apenas a História.

O senhor não sabe o que é o eduquês, porque é um reacionário produzido nesse mesmo sistema.
Anónimo a 19 de Março de 2010 às 21:09

Evidentemente que sendo um taxista reaccionário não consigo compreender a diferença entre ensino universitário e ensino escolar.

O seu objectivo devia ser exactamente esse. Justificar de que forma é que dessa distinção se infere a retenção por faltas.

Eu limite-me a invalidar o seu argumento com um contra-exemplo. Nos aspectos que refere no seu protótipo de argumento, o ensino regular e o ensino superior são equivalentes.

Vamos por partes,
a) "compromissos e horários é um valor em si mesmo e deve ser aprendido"

Aqui qual é o argumento? Postula que cumprir horários é um valor em si mesmo e que esse valor deve ser certificado pela escola como tendo uma importância de carácter eliminatório.


b) "incutam nos jovens a responsabilidade de cumprir um horário"

Aqui está a assumir que a punição molda o carácter incutindo princípios de valor. Baseou-se no quê? Na bíblia ou no almanaque dos taxistas?

É sabido que castigos desproporcionais para além de eticamente questionáveis, geram personalidades reprimidas.

No mínimo teria de justificar em que medida é que faltar, sendo mau por princípio, jutifica uma punição tão severa.


c) "não se demonstrou conhecimento suficiente para passar de ano"

Isto é a única coisa que se parece com um argumento, mas é estúpido. E é aqui que vem o contra-exemplo do IST, que apresentie.

Mandar para o ar coisas mal justificadas, é à taxista.
Anónimo a 21 de Março de 2010 às 02:16

Na última fila da bancada do CDS-PP sentaram-se no primeiro dia, por acaso ou providência, os quatro deputados mais novos da bancada. Juntam-se virtualmente neste espaço para continuar as discussões após o fim dos trabalhos. Junte-se, leia e debata as opiniões dos deputados… Da última fila.
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